A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) classificou como "oportuna e positiva" a decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) de endurecer as normas do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). As medidas visam aumentar a segurança do sistema financeiro, mitigando riscos e protegendo o investidor contra estratégias agressivas de instituições específicas.
O que muda com o "pacote de aperto"
O objetivo central é evitar o chamado risco moral: quando bancos assumem riscos excessivos confiando que o FGC (que garante até R$ 250 mil por CPF) cobrirá eventuais quebras.
As principais inovações incluem:
Criação do Ativo de Referência (AR): Um novo indicador que mede a qualidade e a rapidez com que um banco consegue transformar seus ativos em dinheiro.
Limitação de Captação: Bancos que captarem muito dinheiro via FGC, mas possuírem ativos arriscados ou de difícil venda, deverão obrigatoriamente investir parte desses recursos em títulos públicos federais (ativos mais seguros do país).
Combate ao Crescimento Acelerado: A regra desestimula bancos de médio e pequeno porte de usarem taxas muito altas para atrair investidores sem ter lastro de qualidade.
Padrão Internacional e Liquidez
O CMN também alinhou o Brasil aos padrões globais de Basileia 3, ampliando as exigências de liquidez:
LCR (Razão de Cobertura de Liquidez): Agora obrigatória também para bancos de médio porte. Exige que a instituição tenha caixa suficiente para sobreviver a um cenário de crise por 30 dias.
LCRS: Uma versão simplificada para bancos menores, garantindo que todo o ecossistema esteja protegido.
Cronograma Gradual: A implementação começa em 2027 (com 90% de conformidade), atingindo 100% no prazo final, permitindo que as instituições adaptem seus sistemas.
Contexto: O Caso Banco Master
O endurecimento regulatório ganha força após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central. O episódio serviu de alerta para o mercado: a instituição oferecia rendimentos acima da média para captar recursos, mas mantinha o capital preso em ativos de baixa liquidez e pouca transparência, o que inviabilizou o pagamento de compromissos.
Visão da ABBC: Para a associação, as novas regras equilibram o mercado ao criar uma ligação direta entre o volume captado e a qualidade do que o banco possui em carteira, preservando a solidez do sistema financeiro nacional.
Resumo das Garantias do FGC (Inalteradas)
Limite por CPF/CNPJ: R$ 250 mil por instituição.
Teto Global: R$ 1 milhão a cada período de 4 anos.
Objetivo: Proteger o pequeno investidor e evitar crises sistêmicas.