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O Sucesso do Cacau de Buritis: Da Agricultura Familiar ao Pódio Nacional

Caminhão adquirido garante mais agilidade no transporte da produção

JORNAL RONDÔNIA VIP

22/05/2026 14h46 • Atualizado há 1 hora

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Priscila Melgar | Secom ALE/RO

Na zona rural de Buritis, município da região do Vale do Jamari rondoniense, o cacau produzido pela agricultura familiar tem conquistado reconhecimento nacional e levado o nome de Rondônia ao pódio dos principais concursos do país. Por trás das premiações, existe uma rotina marcada pelo trabalho coletivo, pela dedicação no campo e pela busca constante por qualidade.

Um dos exemplos dessa trajetória construída na terra é do produtor rural Mauro Celso Tauffer, que também preside a Associação dos Produtores Rurais de Cacau de Buritis e Região (Asprucaber). Em 2025, ele conquistou o título de campeão estadual no Concurso de Qualidade e Sustentabilidade do Cacau (Concacau).

Também foi reconhecido nacionalmente pela produção da melhor amêndoa de cacau “varietal” do Brasil. A palavra varietal diz respeito à uma variedade. No caso do cacau, o termo é utilizado para se referir às barras feitas a partir de uma única espécie de cacau.

Priscila Melgar | Secom ALE/RO

O Poder da Associação e o Ganho em Logística

A associação reúne atualmente cerca de 50 famílias produtoras de Buritis, Monte Negro, Campo Novo de Rondônia e Nova Mamoré. Além do fortalecimento da produção, os associados compartilham experiências, mão de obra e estratégias para ampliar a comercialização do cacau.

Para fortalecer a logística, a associação passou a contar com um caminhão 3/4, utilizado no transporte da produção até as “moageiras” (indústrias processadoras de cacau) e centros de comercialização.

Segundo Mauro Celso, o veículo trouxe mais autonomia aos produtores e facilitou a organização da colheita.

“Hoje os próprios sócios se organizam para fazer a colheita e o transporte. Antes dependíamos de caminhão emprestado ou alugado e precisávamos esperar juntar uma carga maior. Agora conseguimos ter mais agilidade e melhorar a venda da produção”, destacou o presidente da associação.

O técnico agrícola Fábio Santos acompanha a Asprucaber desde novembro de 2021 e conhece de perto a realidade enfrentada pelos produtores da região. Para ele, o investimento logístico representa um avanço importante para fortalecer a cadeia produtiva do cacau.

“Esse caminhão trouxe independência para os produtores. Hoje conseguimos buscar melhores mercados, transportar a produção com mais rapidez e garantir melhores condições para os associados”, explicou o técnico.

Com capacidade para transportar até cinco toneladas, o caminhão já contribuiu para o escoamento de mais de 30 toneladas de cacau nos primeiros meses de operação. A logística própria permitiu aos produtores buscar mercados em municípios como Jaru e Ouro Preto do Oeste, onde o valor pago pela amêndoa pode ser mais atrativo.

Priscila Melgar | Secom ALE/RO

Dedicação do Cultivo ao Beneficiamento

Na propriedade de Mauro Celso, o cuidado com o cacau começa ainda no cultivo e segue por todas as etapas da produção. O processo inclui colheita, fermentação, secagem e beneficiamento artesanal dos grãos, preservando a qualidade que colocou Rondônia em destaque nacional.

“Aqui temos um viveiro com cerca de 120 mil mudas de cacau. Fazemos esse trabalho manual de seleção e clonagem para que as novas mudas sejam cada vez melhores”, afirmou Mauro.

Claudineia Miranda da Silva é uma das trabalhadoras responsáveis pela produção das novas mudas. Segundo ela, o trabalho exige dedicação diária, mas também traz satisfação.

“Esse é um momento de muito trabalho. Eu me divido entre cuidar da minha casa, dos meus filhos e do trabalho aqui. É um trabalho manual, mas depois vemos o resultado, a planta produzindo, e isso deixa a gente muito feliz”, contou Claudineia.

Priscila Melgar | Secom ALE/RO
Próximos Passos: Industrialização e Chocolates Finos

Além da comercialização das amêndoas, a associação também trabalha para ampliar a industrialização da produção e investir futuramente no mercado de “nibs” de cacau, produto feito a partir da amêndoa descascada e triturada.

“É a base pura do chocolate. Ela tem o cheiro e mantém o sabor intenso do chocolate amargo, naturalmente crocante”, explicou Mauro, que já iniciou a produção artesanal de chocolate na propriedade.

Em larga escala, para atender também os associados, o desafio agora é adquirir maquinários como torradores e descascadores industriais.

“Para a gente que está começando, é um investimento alto e dá um pouco de medo de arriscar. Mas já estamos fazendo os orçamentos para buscar essas máquinas, avançar nesse processo e agregar mais valor à produção”, projeta Mauro Celso.



Fonte: Ivanete Damasceno | ALE/RO