Polícia apura morte de bebê após pais denunciarem falta de materiais básicos em hospital de RO
Internada por cerca 47 dias, Stefany Dandara morreu após complicações infecciosas. Família acusa o Estado de negligência e afirma que precisou comprar
JORNAL RONDÔNIA VIP
27/04/2026 14h00 • Atualizado há 18 horas
Polícia Civil de RO investiga denúncia de negligência após morte de bebê prematura
A Polícia Civil de Rondônia está apurando as circunstâncias da morte da pequena Stefany Dandara, ocorrida na última terça-feira (21) no Hospital de Base Dr. Ary Pinheiro. A bebê, que nasceu prematura de sete meses em março, passou 47 dias internada. A família acusa o Estado de negligência, apontando a precariedade da estrutura hospitalar como fator determinante para o óbito.
As Denúncias da Família
De acordo com os pais, Crislaine Vitória e César Ferreira, o hospital sofria com a falta crônica de materiais básicos. Entre as principais queixas estão:
- Uso de equipamentos inadequados: A mãe relata que, por falta de sondas gástricas do tamanho correto, foi utilizada uma numeração maior na bebê. Isso teria causado vômitos que levaram o leite para o pulmão da criança.
- Compra de insumos por conta própria: O pai afirma que precisou adquirir curativos específicos para proteger o acesso venoso da filha e evitar infecções, itens que deveriam ser fornecidos pela unidade.
- Falta de higiene e proteção: Relatos apontam a escassez de máscaras para os acompanhantes, esparadrapos de qualidade, gaze e até lenços de limpeza.
Embora tenha apresentado melhora inicial do quadro de corioamnionite (infecção do líquido amniótico), a família afirma que Dandara contraiu uma nova infecção hospitalar, o que agravou seu estado de saúde de forma irreversível.
Investigação e Direitos
A Defensoria Pública de Rondônia (DPE-RO) acompanha o caso. O defensor Sérgio Muniz já instaurou um procedimento preliminar e oficiou a Secretaria de Saúde (Sesau) e a direção do hospital, reforçando que o acesso pleno à saúde é um direito constitucional garantido a todos que utilizam o SUS.
Resposta do Governo de Rondônia
Em nota oficial, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) rebateu as acusações de negligência, afirmando que:
- A bebê estava em estado extremamente grave desde o nascimento.
- Recebeu assistência intensiva contínua, com suporte avançado de vida e medicamentos de ponta.
- A morte foi causada por falência múltipla de órgãos, uma condição de alta mortalidade em prematuros.
O Estado defende que todas as condutas médicas foram técnicas e éticas, solidarizando-se com a dor da família pelo falecimento da criança. Fonte: G1
